Atenção CID-10 CID-11

Atenção: Saúde Mental e Reabilitação Cognitiva

🎯 Atenção: Pilar da Cognição, Saúde Mental e Reabilitação

Por Juliana Galhardi Martins – Psicóloga & Neuropsicóloga – CRP 06/76313

O que é Atenção?

A atenção é uma das funções cognitivas centrais, responsável por filtrar, selecionar e sustentar os estímulos relevantes em meio a um ambiente cheio de informações. Sem atenção, não há aprendizagem, memória ou tomada de decisão eficaz. Essa função está ligada a circuitos fronto-parietais, redes dopaminérgicas e processos de controle inibitório.

Podemos dividir a atenção em diferentes subtipos:

  • Atenção seletiva: capacidade de focar em um estímulo específico ignorando os distratores.
  • Atenção sustentada: manter o foco em uma tarefa por um longo período de tempo.
  • Atenção alternada: alternar o foco entre diferentes estímulos ou tarefas.
  • Atenção dividida: distribuir recursos atencionais entre múltiplas tarefas simultâneas.

A avaliação neuropsicológica frequentemente investiga essas dimensões em testes como o Continuous Performance Test (CPT), Stroop Test, Trail Making Test e WAIS-IV – Índice de Velocidade de Processamento.

Exemplos de Patologias Relacionadas a Déficits Atencionais

  • TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade)
    📌 CID-10: F90.0 (Distúrbio de atividade e atenção).
    📌 CID-11: 6A05 (Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade).
    📌 DSM-5-TR: TDAH, apresentações desatenta, hiperativa-impulsiva e combinada.
    ➡ Caracterizado por dificuldades em atenção sustentada, distração frequente e impulsividade.
  • Transtornos de Ansiedade
    📌 CID-10: F41 (Transtornos ansiosos).
    📌 CID-11: 6B00 (Transtorno de ansiedade generalizada).
    📌 DSM-5-TR: Transtorno de ansiedade generalizada, transtorno do pânico.
    ➡ Ansiedade elevada consome recursos atencionais, reduzindo foco e concentração.
  • Transtornos Depressivos
    📌 CID-10: F32 (Episódio depressivo), F33 (Transtorno depressivo recorrente).
    📌 CID-11: 6A70 (Episódio depressivo único), 6A71 (Transtorno depressivo recorrente).
    📌 DSM-5-TR: Episódio depressivo maior.
    ➡ Déficits em atenção seletiva e concentração são comuns em quadros depressivos.
  • Esquizofrenia
    📌 CID-10: F20 (Esquizofrenia).
    📌 CID-11: 6A20 (Espectro da esquizofrenia e transtornos psicóticos primários).
    📌 DSM-5-TR: Espectro da esquizofrenia.
    ➡ Déficits de atenção sustentada e alternada são marcadores estáveis da condição.
  • Demências
    📌 CID-10: F00 (Demência na Doença de Alzheimer), F01 (Demência vascular).
    📌 CID-11: 6D80 (Transtornos neurocognitivos maiores).
    📌 DSM-5-TR: Transtornos neurocognitivos maiores e leves.
    ➡ A atenção dividida e alternada é uma das primeiras funções a declinar.
  • TEA (Transtorno do Espectro Autista)
    📌 CID-10: F84.0 (Autismo infantil), F84.5 (Síndrome de Asperger).
    📌 CID-11: 6A02 (Transtorno do espectro do autismo).
    📌 DSM-5-TR: TEA.
    ➡ Déficits em atenção conjunta e alternada impactam a interação social e a aprendizagem.
  • TEPT (Transtorno de Estresse Pós-Traumático)
    📌 CID-10: F43.1 (Transtorno de estresse pós-traumático).
    📌 CID-11: 6B40 (Transtorno de estresse pós-traumático).
    📌 DSM-5-TR: TEPT.
    ➡ Flashbacks e hipervigilância prejudicam a manutenção da atenção.

Impactos dos Déficits Atencionais ao Longo da Vida

  • Crianças: dificuldades escolares, aprendizado lento e comportamentos desatentos.
  • Adolescentes: queda no rendimento acadêmico e dificuldades em manter compromissos.
  • Jovens: prejuízos em exames, vestibulares, faculdade e vida profissional.
  • Adultos: impacto em produtividade, relacionamentos e regulação emocional.
  • Idosos: aumento do risco de declínio cognitivo, lentificação e perda de autonomia.

Estratégias de Reabilitação da Atenção

  • Treino cognitivo computadorizado: exercícios digitais para atenção sustentada e seletiva.
  • Mindfulness e meditação: técnicas que aumentam o foco e reduzem a dispersão mental.
  • Reabilitação neuropsicológica: treino personalizado em clínica com estímulos graduais.
  • Atividade física: melhora do fluxo sanguíneo cerebral e dos níveis de dopamina e noradrenalina.
  • Estratégias compensatórias: uso de agendas, alarmes, lembretes e checklists.
  • Realidade virtual: ambientes imersivos para treino de atenção dividida e alternada.

Benefícios da Reabilitação da Atenção

  1. Melhora no desempenho acadêmico e profissional.
  2. Aumento da produtividade e foco.
  3. Redução da impulsividade e da distração.
  4. Prevenção de acidentes relacionados à desatenção.
  5. Maior engajamento social e afetivo.
  6. Promoção do envelhecimento saudável.

Conclusão

A atenção é um dos fundamentos da vida mental. Alterações nesse domínio podem impactar profundamente o desenvolvimento, a aprendizagem, o trabalho e a vida social. Felizmente, intervenções de reabilitação cognitiva têm se mostrado eficazes em restaurar ou compensar déficits, promovendo autonomia e qualidade de vida em todas as idades.

📚 Referências Bibliográficas

  • American Psychiatric Association. (2022). DSM-5-TR: Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. 5ª edição revisada. Porto Alegre: Artmed.
  • Organização Mundial da Saúde (OMS). (2018). CID-11: Classificação Internacional de Doenças. Genebra: OMS.
  • Cheniaux, E. (2015). Manual de Psicopatologia. 5ª edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.
  • Dalgalarrondo, P. (2019). Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais. 3ª edição. Porto Alegre: Artmed.
  • Malloy-Diniz, L. F., Fuentes, D., Mattos, P., & Abreu, N. (2010). Avaliação Neuropsicológica. Porto Alegre: Artmed.
  • Fuentes, D. (2014). Neuropsicologia: Teoria e Prática. 2ª edição. Porto Alegre: Artmed.
  • Wechsler, D. (2004). WAIS-III: Escala de Inteligência Wechsler para Adultos – Manual Técnico. São Paulo: Casa do Psicólogo.
  • Diniz, L. F. M., & Abreu, N. (2011). Neuropsicologia Geriátrica. Porto Alegre: Artmed.

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Autoria: Artigo escrito por Juliana Galhardi Martins – Psicóloga & Neuropsicóloga – CRP 06/76313

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