Memória Cid-10 Cid-11

Memória: Saúde Mental e Reabilitação Cognitiva

🧠 Memória: Essência da Identidade e da Reabilitação Cognitiva

Por Juliana Galhardi Martins – Psicóloga & Neuropsicóloga – CRP 06/76313

O que é Memória?

A memória é a função cognitiva que permite armazenar, consolidar e recuperar informações. É o alicerce da aprendizagem, da identidade pessoal e da construção de experiências de vida.

Existem diferentes tipos de memória:

  • Memória de curto prazo: retenção breve de informações imediatas.
  • Memória de trabalho: manipulação ativa de informações durante o raciocínio.
  • Memória de longo prazo: armazenamento duradouro de conhecimentos e experiências.
  • Memória episódica: recordações autobiográficas e eventos pessoais.
  • Memória semântica: conhecimentos gerais sobre o mundo.
  • Memória procedimental: habilidades motoras e hábitos.

A avaliação neuropsicológica utiliza testes como Rey Auditory Verbal Learning Test (RAVLT), Figura Complexa de Rey, Digit Span e Logical Memory da WAIS-IV/WMS-IV.

Exemplos de Patologias Relacionadas à Memória

  • Transtornos Neurocognitivos (Demências)
    📌 CID-10: F00 (Alzheimer), F01 (Demência vascular).
    📌 CID-11: 6D80 (Transtornos neurocognitivos maiores).
    📌 DSM-5-TR: Transtornos neurocognitivos maiores e leves.
    ➡ A perda de memória episódica é o sintoma central em Alzheimer.
  • Amnésias
    📌 CID-10: F04 (Síndrome amnésica orgânica).
    📌 CID-11: 6D70.1 (Amnésia).
    📌 DSM-5-TR: Transtorno amnésico.
    ➡ Podem ser anterógradas (novas memórias) ou retrógradas (lembranças passadas).
  • Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT)
    📌 CID-10: F43.1.
    📌 CID-11: 6B40.
    📌 DSM-5-TR: TEPT.
    ➡ Alterações na memória autobiográfica devido a flashbacks e bloqueios traumáticos.
  • Depressão
    📌 CID-10: F32, F33.
    📌 CID-11: 6A70, 6A71.
    📌 DSM-5-TR: Episódio depressivo maior.
    ➡ Lentificação cognitiva e prejuízo de memória de trabalho e semântica.
  • Esquizofrenia
    📌 CID-10: F20.
    📌 CID-11: 6A20.
    📌 DSM-5-TR: Espectro da esquizofrenia.
    ➡ Deficiência em memória de trabalho e episódica.
  • TEA (Transtorno do Espectro Autista)
    📌 CID-10: F84.0, F84.5.
    📌 CID-11: 6A02.
    📌 DSM-5-TR: TEA.
    ➡ Déficits em memória episódica e autobiográfica, mas memória semântica pode estar preservada.
  • Uso de Substâncias
    📌 CID-10: F10-F19 (transtornos devido ao uso de substâncias).
    📌 CID-11: 6C40-6C4Z.
    📌 DSM-5-TR: Transtornos por uso de substâncias.
    ➡ Álcool e drogas podem causar amnésias transitórias ou permanentes.

Impactos da Perda de Memória ao Longo da Vida

  • Crianças: prejuízos na aprendizagem, linguagem e aquisição de novas habilidades.
  • Adolescentes: dificuldades em estudos, memorização de conteúdos e desempenho escolar.
  • Jovens: impacto em exames, faculdade e início da vida profissional.
  • Adultos: esquecimento frequente, dificuldades no trabalho e na vida social.
  • Idosos: marcador precoce de declínio cognitivo e perda de autonomia.

Estratégias de Reabilitação da Memória

  • Treino cognitivo: jogos digitais e exercícios clínicos para reforço da memória.
  • Técnicas de associação: uso de imagens, mnemônicos e categorização.
  • Reabilitação neuropsicológica: treino estruturado em clínica para memória de trabalho e episódica.
  • Atividade física: melhora da plasticidade cerebral e do fluxo sanguíneo.
  • Estimulação transcraniana e neurofeedback: ferramentas de apoio em alguns quadros clínicos.
  • Estratégias compensatórias: agendas, aplicativos de lembrete, mapas mentais.

Benefícios da Reabilitação da Memória

  1. Melhora da aprendizagem e desempenho acadêmico.
  2. Recuperação de autonomia no cotidiano.
  3. Redução do impacto de transtornos mentais.
  4. Prevenção de progressão em quadros demenciais.
  5. Apoio em contextos de TEA e TDAH.
  6. Promoção do envelhecimento saudável.

Conclusão

A memória é a base da identidade e da aprendizagem. Quando comprometida, pode impactar profundamente a vida pessoal, acadêmica e profissional. A boa notícia é que intervenções de reabilitação cognitiva podem restaurar funções, criar estratégias compensatórias e proporcionar maior qualidade de vida em todas as idades.

📚 Referências Bibliográficas

  • American Psychiatric Association. (2022). DSM-5-TR: Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. 5ª edição revisada. Porto Alegre: Artmed.
  • Organização Mundial da Saúde (OMS). (2018). CID-11: Classificação Internacional de Doenças. Genebra: OMS.
  • Cheniaux, E. (2015). Manual de Psicopatologia. 5ª edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.
  • Dalgalarrondo, P. (2019). Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais. 3ª edição. Porto Alegre: Artmed.
  • Malloy-Diniz, L. F., Fuentes, D., Mattos, P., & Abreu, N. (2010). Avaliação Neuropsicológica. Porto Alegre: Artmed.
  • Fuentes, D. (2014). Neuropsicologia: Teoria e Prática. 2ª edição. Porto Alegre: Artmed.
  • Diniz, L. F. M., & Abreu, N. (2011). Neuropsicologia Geriátrica. Porto Alegre: Artmed.

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Autoria: Artigo escrito por Juliana Galhardi Martins – Psicóloga & Neuropsicóloga – CRP 06/76313

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