Praxias CID-10 CID-11

Praxias: Ação, Saúde Mental e Reabilitação Cognitiva

✋ Praxias: Coordenação Motora, Saúde Mental e Reabilitação Cognitiva

Por Juliana Galhardi Martins – Psicóloga & Neuropsicóloga – CRP 06/76313

O que são Praxias?

As praxias são as funções cognitivas responsáveis pela planejamento e execução de movimentos voluntários organizados. Elas permitem que realizemos gestos simbólicos, manipulação de objetos e sequências motoras complexas. Sua integridade é essencial para atividades da vida diária, comunicação e autonomia.

Principais tipos de praxias:

  • Praxia ideomotora: capacidade de realizar gestos aprendidos sob comando.
  • Praxia ideatória: execução de sequências de ações com objetos.
  • Praxia construtiva: organizar formas e desenhos no espaço.
  • Praxia bucofacial: movimentos voluntários da face, boca e língua.
  • Praxia cinética: habilidade de realizar movimentos finos e coordenados.

A avaliação das praxias envolve provas clínicas, como imitação de gestos, uso de objetos simulados e testes gráficos, além de subtestes do NEUPSILIN e da WAIS-IV.

Exemplos de Patologias Relacionadas às Praxias

  • Apraxias
    📌 CID-10: R48.2 (Apraxia).
    📌 CID-11: MB80.4 (Apraxia).
    📌 DSM-5-TR: Transtornos neurocognitivos com prejuízos motores voluntários.
    ➡ Perda da capacidade de realizar movimentos aprendidos sem déficit motor ou sensorial.
  • Doença de Alzheimer e outras demências
    📌 CID-10: F00, F01, F03.
    📌 CID-11: 6D80 (Transtornos neurocognitivos maiores).
    📌 DSM-5-TR: Transtornos neurocognitivos maiores.
    ➡ Apraxias construtivas e ideatórias comuns nas fases intermediárias e avançadas.
  • AVC (Acidente Vascular Cerebral)
    📌 CID-10: I69.0 (Sequelas de AVC).
    📌 CID-11: 8D57 (Sequelas de AVC).
    📌 DSM-5-TR: Transtornos cognitivos devido a condições vasculares.
    ➡ Frequentemente associados a apraxia ideomotora e bucofacial.
  • Transtorno do Espectro Autista (TEA)
    📌 CID-10: F84.0.
    📌 CID-11: 6A02.
    📌 DSM-5-TR: TEA.
    ➡ Déficits de coordenação motora e praxias finas.
  • Transtornos Psicóticos
    📌 CID-10: F20 (Esquizofrenia).
    📌 CID-11: 6A20.
    📌 DSM-5-TR: Espectro da esquizofrenia.
    ➡ Podem apresentar catatonia e dificuldades em movimentos voluntários organizados.
  • Doença de Parkinson
    📌 CID-10: G20.
    📌 CID-11: 8A00.0.
    📌 DSM-5-TR: Transtornos do movimento relacionados a condições médicas.
    ➡ Prejuízos na coordenação motora e execução de praxias sequenciais.

Impactos dos Déficits de Praxias ao Longo da Vida

  • Crianças: dificuldades em gestos, escrita, desenho e brincadeiras simbólicas.
  • Adolescentes: prejuízos em esportes, habilidades sociais e autonomia escolar.
  • Jovens: impacto em estudos, trabalhos manuais e inserção profissional.
  • Adultos: perda de autonomia em atividades da vida diária.
  • Idosos: apraxias são marcadores de declínio cognitivo e neurodegeneração.

Estratégias de Reabilitação das Praxias

  • Treino motor funcional: exercícios graduais de coordenação e sequência de movimentos.
  • Terapia ocupacional: adaptação de tarefas cotidianas e treino de habilidades práticas.
  • Reabilitação neuropsicológica: treino cognitivo associado a tarefas motoras.
  • Tecnologias digitais: realidade virtual, videogames terapêuticos e aplicativos de coordenação.
  • Fisioterapia: reabilitação da motricidade fina e grossa.
  • Integração sensório-motora: estimular múltiplos canais (visual, auditivo, tátil) para reforçar a execução de movimentos.

Benefícios da Reabilitação das Praxias

  1. Melhora da coordenação motora e da autonomia.
  2. Redução de sintomas motores em demências e AVC.
  3. Maior independência em atividades da vida diária.
  4. Fortalecimento da autoestima e inclusão social.
  5. Prevenção de quedas e acidentes em idosos.
  6. Promoção de envelhecimento ativo e saudável.

Conclusão

As praxias representam a integração entre cognição e movimento. Alterações nessa função geram prejuízos significativos em autonomia e qualidade de vida, mas a reabilitação cognitiva e motora tem mostrado eficácia em restaurar habilidades, compensar déficits e promover maior inclusão em todas as fases da vida.

📚 Referências Bibliográficas

  • American Psychiatric Association. (2022). DSM-5-TR: Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. 5ª edição revisada. Porto Alegre: Artmed.
  • Organização Mundial da Saúde (OMS). (2018). CID-11: Classificação Internacional de Doenças. Genebra: OMS.
  • Cheniaux, E. (2015). Manual de Psicopatologia. 5ª edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.
  • Dalgalarrondo, P. (2019). Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais. 3ª edição. Porto Alegre: Artmed.
  • Malloy-Diniz, L. F., Fuentes, D., Mattos, P., & Abreu, N. (2010). Avaliação Neuropsicológica. Porto Alegre: Artmed.
  • Fuentes, D. (2014). Neuropsicologia: Teoria e Prática. 2ª edição. Porto Alegre: Artmed.
  • Diniz, L. F. M., & Abreu, N. (2011). Neuropsicologia Geriátrica. Porto Alegre: Artmed.

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Autoria: Artigo escrito por Juliana Galhardi Martins – Psicóloga & Neuropsicóloga – CRP 06/76313

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