
Saúde Mental no Trabalho: Aspectos Psicossociais de Risco e Proteção
A saúde mental no contexto do trabalho é um campo emergente e essencial na contemporaneidade, refletindo diretamente na qualidade de vida, produtividade e realização pessoal dos trabalhadores. Esta resenha é parte integrante do curso de certificação sobre Saúde Mental no Trabalho. Assim podemos dizer que a saúde mental relacionada ao trabalho é definida como um campo interdisciplinar dedicado ao estudo e prática voltados à prevenção de sofrimento psíquico e promoção do bem-estar psicológico no contexto profissional. O trabalho, enquanto prática transformadora da realidade e atividade essencialmente humana, constitui uma base central da identidade pessoal e social dos indivíduos, influenciando diretamente seu estado de saúde mental e emocional.
O Mundo do Trabalho Contemporâneo e Seus Impactos Psicossociais.
O trabalho é entendido como uma prática essencialmente humana, sendo uma atividade consciente e voluntária voltada à transformação da realidade e à satisfação das necessidades básicas (Malvezzi, 2004; Japiassu & Marcondes, 1990; Houaiss & Villar, 2001). Historicamente, o conceito de trabalho passou por transformações profundas. Da associação com sofrimento físico e moral, descrito por Platão e Aristóteles, até a valorização atual sob o paradigma capitalista. Nesse paradigma, o indivíduo vende sua força de trabalho, assumindo um caráter central na construção de identidade e significado pessoal (Bendassolli & Gondim, 2014).
No século XXI, emergem novas configurações do trabalho caracterizadas pela desproletarização, expansão do setor de serviços e intensificação da subproletarização por meio de contratos temporários, terceirização e precarização. Essa nova realidade apresenta desafios significativos para a saúde mental dos trabalhadores, incluindo o desemprego estrutural, decorrente da automação e inteligência artificial (Antunes, 2002).
Sociedade de Desempenho e Seus Reflexos na Saúde Mental
Byung-Chul Han (2016) destaca uma transição da sociedade disciplinar para uma sociedade de desempenho. Nesta última, o trabalhador deixa de ser um “sujeito da obediência” e passa a ser o “empresário de si mesmo”, promovendo uma autoexploração contínua em busca de produtividade máxima. Diferentemente da negatividade e repressão característicos da sociedade disciplinar descrita por Foucault, a sociedade do desempenho estimula positivamente os indivíduos com projetos, iniciativa e motivação, mas gera consequências psicológicas significativas como depressão e sensação de fracasso constante, um exemplo é TEPT e TEPT-C. O filósofo Byung-Chul Han propõe que estamos na era da “Sociedade do Desempenho”, caracterizada por uma pressão contínua para alta performance, onde os trabalhadores se tornam “empresários de si mesmos”. Este modelo gera uma carga psicológica elevada, levando frequentemente a quadros de depressão, burnout e ansiedade crônica devido à constante exigência por produtividade e sucesso individualizado.
Aspectos psicossociais de risco.
Entre os principais fatores psicossociais de risco no ambiente de trabalho contemporâneo, destacam-se:
- Alta exigência psicológica: pressão constante por produtividade e desempenho, resultando em ansiedade, estresse crônico e burnout.
- Baixo controle sobre atividades: ausência de autonomia na gestão das próprias tarefas, causando desmotivação e frustração.
- Falta de suporte social: relações interpessoais inadequadas, gerando isolamento e conflitos interpessoais.
- Precarização e insegurança laboral: contratos temporários e terceirizados, elevando a ansiedade e o medo constante de desemprego.
Aspectos Psicossociais de Proteção
Como fatores protetivos essenciais para a promoção da saúde mental no trabalho, destacam-se:
- Suporte social e organizacional: redes de apoio formais e informais dentro da organização que fornecem suporte emocional e prático.
- Autonomia nas funções: empoderamento do trabalhador para decisões sobre sua rotina laboral, aumentando a satisfação e reduzindo o estresse.
- Reconhecimento e valorização profissional: estratégias de valorização e reconhecimento das contribuições individuais e coletivas, fortalecendo a autoestima e identidade profissional.
- Políticas efetivas de segurança e saúde no trabalho: implementação de práticas que previnem acidentes e doenças ocupacionais, promovendo um ambiente de trabalho saudável e seguro.
Implicações para Políticas Públicas e Gestão Organizacional.
Para mitigar os riscos psicossociais e potencializar os fatores protetivos, torna-se imperativa a adoção de políticas públicas e organizacionais centradas na promoção da saúde mental e bem-estar do trabalhador. Isso inclui programas de prevenção de doenças ocupacionais, ações de conscientização sobre a importância da saúde mental, treinamentos em habilidades sociais e técnicas de manejo do estresse.
Considerações Finais
A compreensão dos fatores psicossociais no ambiente de trabalho possibilita intervenções eficazes, proporcionando melhoria significativa na qualidade de vida dos trabalhadores e, consequentemente, resultados positivos para as organizações. Este campo de estudo evidencia a necessidade contínua de pesquisas e ações práticas voltadas à construção de ambientes laborais mentalmente saudáveis e produtivos.
Referências Bibliográficas
- Antunes, R. (2002). Os sentidos do trabalho: ensaio sobre a afirmação e a negação do trabalho. São Paulo: Boitempo.
- Bendassolli, P., & Gondim, S. (2014). Significados, sentidos e função psicológica do trabalho. Avances en Psicología Latinoamericana, 32(1), 131-147.
- Han, B.-C. (2016). Sociedade do Cansaço. Petrópolis: Vozes.
- Japiassu, H., & Marcondes, D. (1990). Dicionário básico de filosofia. Rio de Janeiro: Zahar.
- Malvezzi, S. (2004). Psicologia Organizacional e do Trabalho: perspectivas históricas e desafios contemporâneos. São Paulo: Casa do Psicólogo.
- Yamamoto, O. H. (2019). Trabalho. In: Bendassolli, P. F., & Borges-Andrade, J. (Orgs.). Dicionário de Psicologia do Trabalho e das Organizações. Belo Horizonte: Editora Artesã.
Esse resumo reúne e sintetiza as informações centrais sobre aspectos psicossociais relacionados à saúde mental no trabalho, oferecendo uma visão integral para a compreensão e manejo desses fatores na prática organizacional e acadêmica.
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